quarta-feira, setembro 20, 2006
Novos paradigmas são assimilados primeiro pelos elementos marginais e transgressores do sistema, aqueles que ou não absorveram, ou não observaram os velhos paradigmas. São eles os elementos criativos, os que enxergam e impulsionam a mudança; entretanto, saibamos, mudanças não significam necessariamente aperfeiçoamentos do sistema: algumas vezes implicam sua destruição.
Com sangue.
Temos os representantes que escolhemos, o governo que merecemos; somos o povo que queremos ser. Nossa anticidadania é nossa identidade. Escrevemos a História com nosso sangue de barata. Economizamos suor e lágrimas; saliva, não, pois é necessária às bravatas. Somos uma nação de jovens frouxos, do caráter às calças.
terça-feira, setembro 12, 2006
Contra o que, cara pálida?
Quinta-Feira, comemorei o feriado. Existir um feriado ainda me lembra que sou independente da empresa em que trabalho, de vez em quando. E isso é motivo de comemoração. Só. Sem história.
Dia da independência. Bobagem. Não existe independência absoluta. Todos somos dependentes em maior ou menor grau de algo ou alguém. Isso é normal. Aliás, é o que amalgama sociedades civis, religiosas, militares, industriais, amorosas...
Somos todos dependentes de algo ou de alguém e isso é bom para as sociedades, desde que dentro dos limites da normalidade.
O problema está em usar essa dependência para entregar ao outro a responsabilidade sobre as coisas. Aí está o problema do brasileiro cidadão, do brasileiro eleitor, do brasileiro indivíduo coletivo. A alienação e a escravidão são derivações dessa doença social.
Sete de setembro, comemorar o quê? Ora, a independência do Brasil com relação ao governo português. Só isso. Ponto final.
Se quiséssemos comemorar mais, teríamos de conquistar novas independências com relação a outros opressores. Se não temos o que comemorar, responsabilidade nossa, aliás, irresponsabilidade nossa.
Quem não acrescenta novas conquistas ao seu dia-a-dia tem mesmo de viver celebrando conquistas do passado, amargamente.
Mitos, aliás, sobrevivem às custas de novas conquistas que não vingaram.
Se, quinta-feira, a maioria houvesse preferido marchar em protesto contra uma questão opressora comum, em vez de acenar bandeirinhas em desfiles, de ir à praia, de fazer churrasquinhos, ou de lagartear ao Sol sem-que-nem-porque, capaz de haver, no ano que vem, um novo 7 de Setembro a celebrar. Mas não haverá. Não existe a questão opressora comum e, houvesse, faltaria uma liderança honrada.
Até porque, os poucos que, quinta-feira, mobilizaram-se com essa idéia o fizeram a partir de questões umbilicais, com discursos pequeninos, que só mesmo outros poucos dependentes dos mesmos temas enfrentaram o frio e a preguiça para acompanhar - sem falar nos que acompanharam para filar o churrasquinho, claro...
A pergunta que fica: não há mais uma questão nacional da qual sejamos todos igualmente dependentes e contra a qual nos mobilizaríamos a despeito de nossa própria comodidade vagabunda?
(Lembrete: a última "questão nacional" era um problema dos congressistas - afastar Collor. Quando esse embuste ficou claro à maioria, ninguém nunca mais resolveu cair em outro engodo igual.)
Dia da independência. Bobagem. Não existe independência absoluta. Todos somos dependentes em maior ou menor grau de algo ou alguém. Isso é normal. Aliás, é o que amalgama sociedades civis, religiosas, militares, industriais, amorosas...
Somos todos dependentes de algo ou de alguém e isso é bom para as sociedades, desde que dentro dos limites da normalidade.
O problema está em usar essa dependência para entregar ao outro a responsabilidade sobre as coisas. Aí está o problema do brasileiro cidadão, do brasileiro eleitor, do brasileiro indivíduo coletivo. A alienação e a escravidão são derivações dessa doença social.
Sete de setembro, comemorar o quê? Ora, a independência do Brasil com relação ao governo português. Só isso. Ponto final.
Se quiséssemos comemorar mais, teríamos de conquistar novas independências com relação a outros opressores. Se não temos o que comemorar, responsabilidade nossa, aliás, irresponsabilidade nossa.
Quem não acrescenta novas conquistas ao seu dia-a-dia tem mesmo de viver celebrando conquistas do passado, amargamente.
Mitos, aliás, sobrevivem às custas de novas conquistas que não vingaram.
Se, quinta-feira, a maioria houvesse preferido marchar em protesto contra uma questão opressora comum, em vez de acenar bandeirinhas em desfiles, de ir à praia, de fazer churrasquinhos, ou de lagartear ao Sol sem-que-nem-porque, capaz de haver, no ano que vem, um novo 7 de Setembro a celebrar. Mas não haverá. Não existe a questão opressora comum e, houvesse, faltaria uma liderança honrada.
Até porque, os poucos que, quinta-feira, mobilizaram-se com essa idéia o fizeram a partir de questões umbilicais, com discursos pequeninos, que só mesmo outros poucos dependentes dos mesmos temas enfrentaram o frio e a preguiça para acompanhar - sem falar nos que acompanharam para filar o churrasquinho, claro...
A pergunta que fica: não há mais uma questão nacional da qual sejamos todos igualmente dependentes e contra a qual nos mobilizaríamos a despeito de nossa própria comodidade vagabunda?
(Lembrete: a última "questão nacional" era um problema dos congressistas - afastar Collor. Quando esse embuste ficou claro à maioria, ninguém nunca mais resolveu cair em outro engodo igual.)
Dependência.
Substantivo feminino. Estado ou qualidade de dependente; subordinação, sujeição. Disposição para a obediência; submissão à vontade de outrem. Necessidade de proteção, amparo, arrimo. Relação necessária; conexão, correlação, interação.Quando foge ao normal, a personalidade dependente converte-se em psicopatologia caracterizada pela incapacidade de tomar decisões sozinha, o que leva a entregar as responsabilidades a um parceiro ou a outras pessoas.
Fonte: Dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa
Fonte: Dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa
Dependência social.
Relação inter-humana marcada pela idéia de que a presença ou a ajuda do outro são necessárias para preservar sua própria situação social ou para poder viver em segurança.
Fonte: Dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa
Fonte: Dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa
Assuma-se e confirme.
Cidadão nulo anula o voto e confirma. Cidadão omisso vota em branco e confirma. Cidadão alienado vota em qualquer um e confirma. Cidadão conivente vota em corrupto e confirma. Cidadão burro conforma-se e confirma. Assuma-se e confirme.
segunda-feira, setembro 11, 2006
Pra não mandar ninguém tomar no C...
"De fato, o que poderia convir à Loucura do que ser o arauto do próprio mérito e fazer ecoar por toda parte os seus próprios louvores?
Quem poderá pintar-me com mais fidelidade do que eu mesmo?
Haverá, talvez, quem reconheça melhor em mim o que eu mesmo não reconheço?
De resto, essa minha conduta me parece muito mais modesta do que costuma ter a maior parte dos grandes e dos sábios do mundo."
Quem poderá pintar-me com mais fidelidade do que eu mesmo?
Haverá, talvez, quem reconheça melhor em mim o que eu mesmo não reconheço?
De resto, essa minha conduta me parece muito mais modesta do que costuma ter a maior parte dos grandes e dos sábios do mundo."

