quarta-feira, outubro 29, 2008
O silêncio, a frase parada no meio, a palavra abortada pela frieza instantânea do mesmo pensamento, ah!, o mesmo comportamento de sempre. O que se calou premeditadamente falou mais alto do que todos os discursos espontâneos, como - e porque - você quis. Obrigado.
Todo omisso é um traidor frio e passivo.
Quem se omite, seja por quais motivos for, trai os que nele depositaram algum tipo de confiança ou responsabilidade. Seja por covardia, má fé, ou por simples desprezo ao próximo, o omisso é aquele que não abre a boca, quando deveria, não se manifesta, quando era necessário, não toma partido, quando poderia evitar uma injustiça. É, enfim, um traidor frio, que deixa os outros agirem por ele e, quando, um dia, alguém lhe pergunta "mas por que você não falou nada? por que você não me disse? por que você não mostrou o que pensava?", ele dá de ombros, como se sua confiança nele depositada não valesse nada, ou, pior, como se estivesse absolutamente indignado pelo fato de você - ora, quem é você?! - estar ali, diante dele, cheio de cobranças. O omisso é alguém que se julga acima de qualquer vínculo, regra, ou obrigação, e não aceita que lhe cobrem posições, porque essas coisas só valem para os outros. No fundo, é um sujeito arrogante, sem nenhum respeito pelo próximo, do tipo que troca de companhia como quem troca de camisa: não serve mais, troca. É, portanto, perigoso, pois, sempre, inevitavelmente, deixará sozinho quem contava com ele. Não deve servir de apoio para ninguém, para nenhuma sociedade. (Detalhe: todo omisso o é por opção.) Pense nisso antes de... votar, por exemplo.
Voto nulo?
Voto nulo não existe: o que existe é eleitor que se anula diante da urna e mostra o que realmente é: um filhote de Pilatos, em questão de Política. Sujeitinho, do lado de lá da caixa, lava as mãos, como quem dissesse "não tenho nada com isso", e sai de consciência limpa como água de fossa. Pensa que não poderá ser cobrado por sua omissão, ou pior, acredita que poderá comemorar qualquer que seja o resultado das ações dos eleitos. Quem vota nulo não é, definitivamente, um cidadão consciente a protestar; é, ao contrário, um leviano covarde, quando não é um oportunista covarde, omisso e irresponsável.
O que conseguiu Brutus, ficando ao lado dos traidores?
Marcus Brutus Caesarem necat.
- Tu quoque, Brute, fili mi?
- Sic semper tyrannis!
Em 44 a.C., Marcus Junius Brutus, pretor romano, favorecido de Júlio César, foi um dos conjurados que, unidos, o apunhalaram nas escadarias do Senado, matando-o. O que motivou o afilhado insuspeito a apoiá-los? Servir aos interesses comuns dos conspiradores; negócios... apenas negócios.
Entretanto, depois da traição, Brutus teve de partir de Roma para Creta, uma forma de escapar à punição por haver, no passado, apoiado os atos de Júlio César, que agora eram considerados criminosos. Ou seja: assassinar o homem a quem ele apoiava não havia sido o suficiente para inocentá-lo perante os inimigos de César: em vez de ser premiado por participar do assassinato, como esperava, teve de sair de sua terra, para não ser morto também.
Em 43 a.C., Otaviano foi ordenado Cônsul romano e uma de suas primeiras medidas foi começar a perseguição aos assassinos de Júlio César, entre eles, claro, Brutus, que arregimentou um exército para defender-se. Mas não obteve sucesso e, 42 a.C., perdeu a segunda Batalha de Filipo para as forças comandadas por Marco Antônio e Otaviano, em 23 de outubro. Antes de ser capturado e morto, cometeu suicídio.
Seu corpo foi envolto em suas vestes mais caras e cremado. Suas cinzas, entregues a sua mãe. Sua esposa, ao saber de sua morte, também se matou. Segundo Plutarco, as últimas palavras de Brutus teriam sido: "por todos os meios, nós devemos voar; não com nossos pés, entretanto, mas com nossas mãos".
- Tu quoque, Brute, fili mi?
- Sic semper tyrannis!
Em 44 a.C., Marcus Junius Brutus, pretor romano, favorecido de Júlio César, foi um dos conjurados que, unidos, o apunhalaram nas escadarias do Senado, matando-o. O que motivou o afilhado insuspeito a apoiá-los? Servir aos interesses comuns dos conspiradores; negócios... apenas negócios.
Entretanto, depois da traição, Brutus teve de partir de Roma para Creta, uma forma de escapar à punição por haver, no passado, apoiado os atos de Júlio César, que agora eram considerados criminosos. Ou seja: assassinar o homem a quem ele apoiava não havia sido o suficiente para inocentá-lo perante os inimigos de César: em vez de ser premiado por participar do assassinato, como esperava, teve de sair de sua terra, para não ser morto também.
Em 43 a.C., Otaviano foi ordenado Cônsul romano e uma de suas primeiras medidas foi começar a perseguição aos assassinos de Júlio César, entre eles, claro, Brutus, que arregimentou um exército para defender-se. Mas não obteve sucesso e, 42 a.C., perdeu a segunda Batalha de Filipo para as forças comandadas por Marco Antônio e Otaviano, em 23 de outubro. Antes de ser capturado e morto, cometeu suicídio.
Seu corpo foi envolto em suas vestes mais caras e cremado. Suas cinzas, entregues a sua mãe. Sua esposa, ao saber de sua morte, também se matou. Segundo Plutarco, as últimas palavras de Brutus teriam sido: "por todos os meios, nós devemos voar; não com nossos pés, entretanto, mas com nossas mãos".

