Todos reclamam. Poucos se envolvem. Um se ferra. Nada se resolve.
É assim. Havendo um problema, todos sabem reclamar - ou melhor: fofocar, pelos cantos, à miúda, por desabafo; mas, quer ver os grupelhos desmanchar-se, pergunte:
- "Fazemos o quê?"
Nessa hora, os mais honestos calam-se; outros resmungam que estão ocupados; outros, não podem envolver-se; e, no fim, se houver quem realmente aceite brigar pela causa, quebra a cara, estropia-se, por falta de apoio, para a diversão secreta de todos os outros que o abandonaram.
O dito é muito velho, mas ainda faz sentido: "querem ver o circo pegar fogo". O grande divertimento, a grande emoção da maioria das pessoas é assistir ao triste espetáculo de um tolo que se atira a uma missão suicida. Se este obtiver êxito, todos comparecerão à festa; se fracassar, irão ao enterro; e, se não sobrar nem para enterrar, lerão a notícia com o prazer mórbido dos que acabaram de assistir à queda de alguém muito próximo.
(Aliás, o que é a amizade?)
Eu.
Sou o que sou
não o que sei, o que penso, o que faço
e isso não tem a menor importância.
Em prol da Educação:
Seria muito interessante que criança virasse gente e adolescente virasse trabalhador, antes de transformar-se em consumidores. Aliás, seria muito importante que todo ser humano primeiro aprendesse o valor da cidadania e da solidariedade para, muito depois de exercê-los, tornar-se consumidor.
E, mesmo que você discorde:
A nenhum indivíduo que ainda não houvesse descoberto o valor de uma vida (humana ou não) deveria ser dado o direito de escolher um presente material. E o ser humano que demonstrasse maior apreço, amor, consideração ou outro sentimento positivo por uma Barbie, um celular, um par de tênis, um carro importado ou qualquer outro objeto, do que por um cão sarnento, uma formiga ou um bêbado no asfalto, deveria ser posto numa jaula, antes de ganhar direitos.