Com toda delicadeza.
Veja o caso dos pãezinhos: donas-de-casas reclamavam de pagar vinte e cinco centavos por pãezinhos franceses de cinqüenta gramas que não tinham esse peso; os órgãos de defesa do consumidor compraram a briga; o legislador, oportunista, acolheu a queixa, resolveu proteger as donas-de-casas e rascunhou a lei que obrigaria padarias a comercializar o pãozinho francês por peso; o padeiro, português, mas não burro, imediatamente começou a produzi-los com mais de cinqüenta gramas, para maximizar a receita do negócio; e as donas-de-casas, aquelas que reclamavam de pagar vinte e cinco centavos por pãezinhos com menos de cinqüenta gramas, agora reclamam de levar para casa os mesmos pãezinhos um pouco mais pesados e ainda gastar mais do que antes. Um exemplo típico de ignorância protegida.
Com toda delicadeza: eita povo besta, sô! Incapaz de avaliar uma lei que, teoricamente, foi feita em seu nome. Será que nenhuma das donas-de-casas fizeram essa continha?
Eu me lembro de que, enquanto ainda era um projeto, o assunto foi amplamente divulgado pela imprensa, com diversos comentários de pessoas que denunciavam o aspecto negativo de uma lei que em momento nenhum obrigaria o panificador a produzir seus pães dentro de um padrão de peso, mas simplesmente lhe dava o direito de cobrar por grama do produto. E ninguém reclamou, ninguém protestou; certamente, ninguém prestou a menor atenção. Imagina se um órgão de defesa do consumidor, que havia apoiado o tal projeto, iria, de repente, virar-se contra ele? Ah, não, claro que não... E estamos aí, assistindo às donas-de-casas protestarem contra o pãozinho inchado e querendo a revogação da lei fresquinha.
Povo besta. Carece de Educação para exigir os direitos, viu?
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