quarta-feira, abril 25, 2007
Rico.
É aquele que compra o advogado que quiser para escolher em seu lugar quem será punido pelos crimes que ele cometeu e todos sabem.
De classe média.
É aquele que, a despeito do crime que comete, sempre tem um parente para dizer que foi por influência dos amigos, coitadinho.
Pobre.
É aquele que não pode cometer um crime sossegado sem que logo apareça alguém para prendê-lo justamente por isso.
Bancar o palhaço não tem graça.
Uma das piores coisas que se podem fazer contra uma pessoa no ambiente de trabalho é ridicularizá-la diante das demais.
Quando ela se aproxima, no meio do expediente, com aquele assunto que considera importante (porque, afinal, é trabalho) e você a deixa falando sozinha, para rir de uma piada que alguém contou na sala, você a fere no orgulho - o órgão mais sensível de qualquer trabalhador.
Você até pode achar que é exagero dela, claro, afinal, o sentimento dos outros é sempre um exagero aos olhos de qualquer observador. Coloque-se no lugar dela, você não vai sentir, mas entenderá.
Caso ela tenha feito o mesmo com você algum dia e lhe agrade o sabor azedo de uma vingança, tudo bem, terá servido; caso contrário, saiba: você magoou alguém que não merecia.
Quando ela se aproxima, no meio do expediente, com aquele assunto que considera importante (porque, afinal, é trabalho) e você a deixa falando sozinha, para rir de uma piada que alguém contou na sala, você a fere no orgulho - o órgão mais sensível de qualquer trabalhador.
Você até pode achar que é exagero dela, claro, afinal, o sentimento dos outros é sempre um exagero aos olhos de qualquer observador. Coloque-se no lugar dela, você não vai sentir, mas entenderá.
Caso ela tenha feito o mesmo com você algum dia e lhe agrade o sabor azedo de uma vingança, tudo bem, terá servido; caso contrário, saiba: você magoou alguém que não merecia.
Uma dor inconfessável.
De vez em quando, experimento uma dor difícil de descrever e de admitir, ante mudanças que observo em pessoas das quais eu gosto e com que convivo, como se eu presenciasse ao surgimento de uma personalidade estranha no corpo de um velho conhecido. Reajo mal a essa dor, com uma espécie de travamento que me distancia até dos sentimentos que eu nutria pela pessoa antiga. É mais que simples medo diante do novo, mais do que saudade do passado: é uma tristeza, a dor de uma despedida anunciada.
Gente burra. (Ou: "É porque é.")
O inferno é composto por medíocres escravos da ignorância, idiotas investidos de poder, gente incapacitada que emprega e zela bestamente por regras que não entende. Gente normal.
A ANVISA, na justa tentativa de coibir o comércio irregular e criminoso de medicamentos controlados, do tipo que pode causar dependência química, exige dos médicos que, ao emitir uma receita azul, utilizem um carimbo de identificação, com seu nome, CPF, CRM, endereço completo, de modo legível e em letra de forma. Até aí, tudo bem.
Minha mãe recebeu uma dessas receitas azuis, para compra do Dalmadorm, um desses hipnóticos perigosos. O médico substituiu o carimbo mecânico por uma impressão a laser no formulário original da receita, nas mesmas dimensões de um carimbo, inclusive com o desenho das bordas; uma ação inteligente: já que nenhuma receita azul pode ser emitida sem o tal carimbo, por que não imprimir o formulário já carimbado? Pois bem...
Nenhuma farmácia recebe a maldita receita. Por quê? Porque não tem o carimbo. Acreditam nisso? É. Os entregadores, balconistas, farmacêuticos todos com que falamos reconhecem que é absurdo, mas, repetem, "infelizmente, é assim... porque a anvisa exige". Para eles, absurdo é controlar a venda, mas, já que exigem o carimbo, tem de ser carimbo, impressão não vale!
A burocracia é o ofício diabólico dos pequenos poderosos imbecis e acéfalos em seu cômodo cotidiano controlado e inquestionável. Normal.
A ANVISA, na justa tentativa de coibir o comércio irregular e criminoso de medicamentos controlados, do tipo que pode causar dependência química, exige dos médicos que, ao emitir uma receita azul, utilizem um carimbo de identificação, com seu nome, CPF, CRM, endereço completo, de modo legível e em letra de forma. Até aí, tudo bem.
Minha mãe recebeu uma dessas receitas azuis, para compra do Dalmadorm, um desses hipnóticos perigosos. O médico substituiu o carimbo mecânico por uma impressão a laser no formulário original da receita, nas mesmas dimensões de um carimbo, inclusive com o desenho das bordas; uma ação inteligente: já que nenhuma receita azul pode ser emitida sem o tal carimbo, por que não imprimir o formulário já carimbado? Pois bem...
Nenhuma farmácia recebe a maldita receita. Por quê? Porque não tem o carimbo. Acreditam nisso? É. Os entregadores, balconistas, farmacêuticos todos com que falamos reconhecem que é absurdo, mas, repetem, "infelizmente, é assim... porque a anvisa exige". Para eles, absurdo é controlar a venda, mas, já que exigem o carimbo, tem de ser carimbo, impressão não vale!
A burocracia é o ofício diabólico dos pequenos poderosos imbecis e acéfalos em seu cômodo cotidiano controlado e inquestionável. Normal.






















